
O Futuro dos ZSAs
No Painel O Futuro dos ZSAs, Constance, da QEDIT apresentou avanços no Zcash com foco em três principais inovações: Zcash Shielded Assets (ZSAs), Asset Swaps e Hash Time-Locked Contracts (HTLCs).
Os ZSAs permitirão a emissão, transferência e queima de ativos na blockchain Zcash, como NFTs. Essa funcionalidade será introduzida na próxima atualização do protocolo, a Network Upgrade 7 (NU7), e a implementação está quase concluída, aguardando revisão da Electric Coin Company (ECC).
Após os ZSAs, a QEDIT planeja implementar os Asset Swaps, que possibilitam a troca atômica de ativos entre duas partes. Essas trocas funcionam por meio de "swap orders", que podem ser compartilhadas off-chain. Quando duas ordens são compatíveis, um "swap bundle" é gerado e publicado na blockchain. Esse processo pode ser realizado pelas partes envolvidas ou por um terceiro chamado matcher, responsável por identificar e agrupar ordens compatíveis.
Outro recurso em desenvolvimento é o HTLC, que permitirá swaps atômicos entre blockchains (cross-chain atomic swaps) e canais de pagamento. Ele funciona bloqueando um ativo até que uma condição seja atendida, como a apresentação de uma pré-imagem de um hash ou o vencimento de um prazo. A QEDIT considera dois designs principais para implementar o HTLC no Zcash: um em que os parâmetros (como hash, prazo e endereços) são públicos, com menor custo computacional, e outro em que esses dados são privados, garantindo maior privacidade, mas com maior custo de criação e validação da transação.
Essas inovações reforçam o compromisso da QEDIT em ampliar as funcionalidades do Zcash, equilibrando privacidade, eficiência e segurança nas transações.

Coin Voting 2.0
O segundo Painel do dia contou com a presença de Hahn. Nesse Painel ele apresentou o sistema Coin Voting e trouxe a discussão sobre melhorias em privacidade, segurança e equilíbrio no peso dos votos durante votações.
O coin voting é uma abordagem inovadora para governança descentralizada no ecossistema Zcash, permitindo que os detentores de ZEC participem de decisões cruciais de forma privada e segura. Utilizando zk-SNARKs, a votação ocorre na pool Orchard, garantindo anonimato completo dos eleitores, sem vínculo entre identidade e voto. O peso do voto é determinado pela quantidade de ZEC detida, seguindo um modelo ponderado, mas sem influências externas ou manipulação. A ferramenta ElectionBot facilita a criação de eleições automatizadas, gerando arquivos JSON para definir cédulas eleitorais e enviar votos de maneira criptografada, de forma que apenas o criador da eleição possa descriptografá-los.
O sistema de votação ocorre em uma blockchain separada e temporária, baseada no Comet BFT, para evitar sobrecarga da rede principal do Zcash. Isso garante confirmações rápidas e auditoria descentralizada, permitindo que qualquer pessoa rode um nó para verificar a integridade dos votos. Além disso, o modelo de proof-of-authority, com múltiplos validadores, garante a segurança e a resistência contra ataques.
O Coin Voting também permite a delegação de votos, tornando a participação mais acessível a eleitores que não podem ou não desejam acompanhar todas as votações diretamente. A plataforma inclui uma fase de auditoria, e o código do projeto é open-source, disponível no GitHub, permitindo que qualquer organização implemente suas próprias eleições. No entanto, há desafios, como a concentração de ZEC, que pode favorecer grandes detentores e gerar desequilíbrios no poder de decisão, além de questões relacionadas à proteção contra fraudes e acessibilidade. Apesar disso, o coin voting oferece uma solução segura, transparente e inovadora para a governança descentralizada de Zcash.

Red•bridge (ZavaX)
No Painel Red bridge ZavaX, Kit Sturgeon, CEO da RedDev, apresentou o RedBridge, uma ponte entre Zcash e Avalanche. O RedBridge visa compartilhar as características de privacidade e divulgação seletiva do Zcash com o ecossistema cripto, criando um token "embrulhado" ZEC que pode ser usado em Avalanche e além, especialmente para garantir empréstimos e como conta de poupança privada no DeFi. A ponte é permissionless, com validadores guardiões decidindo o que passa.
A primeira fase do projeto foca na ponte de wrapping entre Zcash e Avalanche, enquanto as fases futuras expandem a escalabilidade e integração de ZSAs e privacidade. A RedBridge também contará com o suporte da Avalanche Foundation, que recentemente forneceu financiamento adicional. O projeto visa criar um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer escalável, com o Zcash funcionando como a reserva de valor e as Avalanche L1s oferecendo pagamento rápido e privado.
Kit também convidou a comunidade a ajudar, participando da testnet incentivada e revisando a arquitetura. Ele destacou a importância de ZSAs para ampliar os casos de uso, incluindo o suporte a tokens como BTC embalados. E disse que o nome RedBridge foi escolhido devido à conexão com a cor vermelha no Avalanche e a marca RedDev.

ATH em Colaboração
Pacu, engenheiro de relações com desenvolvedores e bolsista da ZCG, iniciou o Painel ATH em Colaboração destacando o momento de maior colaboração na história de Zcash. Ele falou sobre a evolução do ecossistema, que começou com uma única organização e cresceu para incluir várias equipes, como Shielded Labs, YWallet, ZecHub, ZecRocks, e outras. Apesar das dificuldades e pausas, como a interrupção temporária do programa de embaixadores, mais equipes se uniram, como QEDIT, Brave, RedDev e MayaDex, além de iniciativas como o livro "My First Zcash" criado com a comunidade.
Embora o ecossistema esteja em plena expansão, Pacu reconhece que ainda há uma lacuna significativa: a necessidade de mais desenvolvedores e equipes para enfrentar os desafios à frente. Ele acredita que Zcash pode ser difícil de entender para novatos, o que dificulta o ingresso de novos desenvolvedores no projeto. Como parte de sua reflexão sobre esse problema, ele destacou os recursos educacionais disponíveis, como o ZCash, Z.Cash e os repositórios do GitHub, mas apontou que a documentação é descentralizada e carece de uma estrutura clara, o que pode ser um obstáculo para novos aprendizados.
Pacu comparou Zcash com outros projetos como Monero, Namada e Penumbra, os dois últimos têm abordagens mais estruturadas para a documentação e são mais eficazes em atrair novatos. Ele sugere que Zcash precisa investir em uma documentação mais coesa, acessível e focada em facilitar o aprendizado de novatos. Ele também mencionou a importância de uma experiência de desenvolvimento (DX) mais amigável, o que envolve criar materiais educacionais focados em objetivos claros e estruturados de maneira a facilitar o entendimento dos conceitos.
Pacu propõe a criação de uma plataforma colaborativa para melhorar a documentação e os recursos educacionais de Zcash, destacando iniciativas descentralizadas como o ZecHub. Ele sugere a criação de novos repositórios no GitHub, blogs e a contratação de colaboradores por meio de grants e bounties. Por fim, ele convida todos a contribuírem para o ecossistema, independentemente de serem desenvolvedores ou não, e reforça a importância da colaboração para o sucesso de Zcash.

Proof of Stake (PoS)
Um dos painéis mais esperados do ZConVI, abordou o Proof-of-Stake (PoS), tema crucial para o futuro do Zcash, ele reuniu grandes especialistas da indústria, como Christopher Goes (Anoma Foundation), Daira-Emma (Zcash), Henry De Valence (Penumbra), Vitalik Buterin (Ethereum) e Zooko Wilcox (Shielded Labs), com moderação de Nate, da Shielded Labs. O foco da discussão foi a transição do Zcash, que inicialmente utilizava o modelo Proof-of-Work (PoW), para um modelo Proof-of-Stake. A principal preocupação foi garantir que o modelo PoS mantivesse a segurança e o cronograma de emissão de tokens alinhados com o Bitcoin, sem comprometer a descentralização e incentivando a participação ativa dos usuários.
Christopher Goes argumentou que, embora as preocupações econômicas fossem válidas, a experiência na rede Cosmos mostrou que os validadores são motivados por fatores além dos incentivos financeiros. Ele sugeriu que Zcash explorasse diferentes perfis de validadores para garantir maior engajamento. Daira-Emma questionou a eficácia do slashing no PoS, sugerindo que essa prática fosse mais voltada para a prevenção de falhas do que para punições após o ocorrido. Henry De Valence, do Penumbra, explicou que, no modelo de sua rede, o slashing é aplicado em duas situações principais: equivocação (como assinaturas duplas) e inatividade prolongada, sendo que a penalização por inatividade é leve e visa incentivar a participação sem punições severas.
Vitalik Buterin, com vasta experiência no Ethereum, abordou a importância de garantir que, caso a rede fosse comprometida, os participantes perdessem uma quantia significativa, criando um desincentivo robusto contra ataques. Ele também enfatizou que os delegadores, ao escolherem validadores, devem estar cientes dos riscos associados a essas escolhas, e o slashing deve ser complementado por outras medidas de segurança em momentos críticos. Zooko Wilcox, por sua vez, destacou a importância da experiência do usuário, sugerindo que as wallets precisavam ser mais intuitivas, permitindo que os usuários compreendessem claramente os riscos do staking e as possíveis perdas sem depender de contratos longos e complexos.
O debate também explorou modelos híbridos, como o Cross Link, que combina PoW e PoS para garantir tanto a segurança quanto a finalização de blocos. Daira explicou que, nesse modelo, a segurança do protocolo dependeria da integridade de pelo menos um dos mecanismos, mas destacou o desafio de garantir incentivos adequados tanto para mineradores quanto para validadores. Vitalik trouxe à tona o dilema de prevenção versus punição, especialmente em situações de censura de transações, um problema complexo que o slashing, por si só, não resolveria.
A transição do Zcash para PoS foi vista como uma mudança profunda que vai além da alteração técnica. Trata-se também de uma redefinição dos incentivos econômicos, das questões de segurança e da experiência do usuário. A implementação do PoS deve equilibrar robustez técnica com clareza e acessibilidade para a comunidade, com uma atenção especial para a delegação de poder e os mecanismos de escolha de validadores. Esses mecanismos são cruciais para garantir a descentralização, mas as escolhas dos delegadores podem ser influenciadas por fatores externos, como a confiança em determinadas estruturas.
Outro ponto importante discutido foi como evitar a centralização nas redes PoS. A delegação de poder de computação em redes PoS, se mal gerida, pode levar à concentração do poder em poucas mãos. Para mitigar isso, foi discutida a criação de sistemas que permitam aos delegadores avaliar os validadores de forma mais informada e segura. Modelos de intermediação, como o Lido no Ethereum, foram apresentados como formas de facilitar as escolhas dos delegadores, permitindo que especialistas realizem análises aprofundadas dos validadores.
A separação das regras de consenso, de regras econômicas e do protocolo de transações foi outra questão levantada, com a ideia de que isso facilitaria a análise de segurança e o gerenciamento do código, como já é feito no Ethereum. A falta dessa separação no Zcash pode tornar a gestão do sistema mais complexa. A transição gradual para PoS, no estilo do Ethereum, foi considerada mais segura do que uma mudança abrupta, pois garantiria a continuidade da segurança da rede.
O painel também discutiu as vantagens e desvantagens dos modelos híbridos PoW/PoS. Embora o PoW seja criticado pelo consumo de energia, o PoS oferece um modelo mais sustentável. A combinação dos dois modelos pode trazer benefícios, dependendo de como forem implementados. Além disso, a resiliência dos sistemas foi destacada com exemplos de falhas em ecossistemas, como o Terra, que não comprometeram completamente o mecanismo de consenso devido ao forte engajamento dos participantes.
A segurança das redes, portanto, depende não apenas do design técnico, mas também da interação entre camadas sociais e incentivos econômicos. A governança e a descentralização foram temas recorrentes, com Henry De Valence destacando a importância do altruísmo, sugerindo que as escolhas de participantes não deveriam ser baseadas apenas em incentivos financeiros. O exemplo da rede Penumbra foi citado, pois essa rede focou em alinhar seus participantes desde o início, criando uma base sólida e bem-intencionada.
Para promover a descentralização econômica e evitar a exclusão de participantes de países com menos recursos, foi sugerida a delegação de staking. A ideia de um "stake boost", que incentivaria pequenos validadores sem prejudicar os grandes, também foi discutida. Por fim, o painel falou sobre a transição para novos protocolos, com o "crosslink" sendo considerado o primeiro passo para a implementação de mudanças no Zcash. A transição para versões mais recentes do Zcash, como a NU7, também foi mencionada, com a preocupação de que os recursos ainda não estivessem totalmente definidos. A conversa foi considerada produtiva, com agradecimentos pelos insights compartilhados e otimismo pelos projetos em andamento.

Surgimento do Chasqui
No Penúltimo Painel do dia, Za falou sobre o Surgimento do Chasqui.
Chasqui é uma iniciativa dentro do ecossistema Zcash que propõe uma nova abordagem para a comunicação digital, integrando mensagens privadas peer-to-peer diretamente na blockchain. Desenvolvido pela comunidade Zingo Labs, o projeto busca oferecer um meio de interação seguro e descentralizado, evitando a extração de dados e a vigilância presente nas plataformas convencionais. Através da carteira Zingo e de uma infraestrutura baseada em React Native, Chasqui possibilita experimentação contínua e evolução da experiência do usuário.
Diferente de outras soluções, Chasqui propõe um modelo sustentável, onde pequenas taxas sobre mensagens podem ser direcionadas para o aprimoramento do protocolo de comunicação do Zcash, sem controle centralizado. A longo prazo, a ferramenta pretende combinar a privacidade Zcash com protocolos existentes, como Matrix e Signal, para otimizar a transmissão de mensagens. Além disso, o projeto se desenvolve de forma modular, permitindo que outras aplicações do ecossistema Zcash integrem sua tecnologia.
Embora inicialmente Chasqui esteja integrado à carteira Zingo, a proposta é que ele funcione como uma ferramenta interoperável, incentivando a diversificação de soluções dentro do ecossistema. O objetivo final é proporcionar uma alternativa acessível e eficiente para usuários que buscam comunicação privada, sem depender de intermediários ou modelos de financiamento instáveis. O projeto está em desenvolvimento e conta com a colaboração da comunidade para sua evolução, reafirmando o compromisso com a privacidade e a descentralização.

AMA Zcash Community Grants
O último Painel do dia foi um AMA com Zcash Community Grants, durante o painel os participantes trouxeram diferentes perspectivas sobre o desenvolvimento e a adoção de Zcash. O moderador foi Alex Bornstein, diretor executivo interino da Zcash Foundation, que também colabora com o ZCG por meio da Financial Privacy Foundation (FPF). Entre os palestrantes, ZeroDartz, membro do ZCG há dois meses, destacou sua experiência na comunidade Zcash, incluindo sua atuação no ZecHub, eventos ZKAV e fórum, além da criação de memes sobre Zcash. Jason, membro do ZCG desde 2022 e fundador da Shielded Labs, compartilhou sua visão sobre governança e sustentabilidade da rede, mencionando seu envolvimento com o mecanismo de sustentabilidade e a transição para um modelo híbrido de proof-of-stake. Artkor, conhecido na comunidade russa como ruZCash, começou como minerador de ZEC em 2017 e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação para a produção de conteúdo educativo e tradução de materiais sobre Zcash, tornando-se um dos embaixadores do projeto.
O painel também abordou desafios e oportunidades para o crescimento do ecossistema Zcash, com foco em adoção, financiamento de projetos e colaboração da comunidade. Os palestrantes discutiram as principais barreiras para a adoção do Zcash, incluindo falta de conscientização, desafios técnicos e dificuldades na experiência do usuário. Foi destacado que a necessidade de privacidade financeira tende a crescer à medida que problemas como censura, rastreamento de transações e congelamento de ativos se tornam mais evidentes.
Os participantes enfatizaram que o ZCG tem um papel fundamental na construção do ecossistema ao financiar projetos que agregam valor a Zcash. Para que uma proposta seja bem-sucedida, é essencial que os proponentes apresentem um projeto detalhado, explicando claramente como ele contribuirá para a rede e demonstrando credibilidade. Além disso, a transparência nos custos e a viabilidade do orçamento são fatores críticos para a aprovação. A receptividade ao feedback da comunidade também foi apontada como um critério essencial, incentivando os candidatos a engajarem ativamente nas discussões no fórum e a responderem às críticas de forma construtiva.
Outro ponto levantado foi a necessidade de maior colaboração dentro da comunidade Zcash. Foi mencionado que, apesar do respeito por projetos externos, as discussões internas às vezes são fragmentadas, o que pode dificultar avanços no ecossistema. O incentivo à troca de ideias e à inovação foi reforçado como essencial para o crescimento do Zcash.
Além disso, os palestrantes discutiram os casos de uso mais relevantes do Zcash atualmente, com ênfase em pagamentos privados e resistência à censura. Foi citado que o ZCG continua financiando defensores do Zcash em diferentes países para promover a conscientização sobre suas aplicações. No encerramento, foi anunciado que as eleições do ZCG acontecerão em junho, incentivando a participação da comunidade na governança do projeto e reforçando o compromisso com a transparência e a descentralização.


