ZconVI Dia 2

ZconVI Dia 2

Insightful panels at ZConVI featuring discussions on ECC, Flexa, Maya, quantum threats, and Zcash development tools.

March 15, 2025· 15 min read
0 score


O estado da ECC

No Painel O estado da ECC, Josh Swihart, CEO da Electric Coin Company (ECC), reafirmou o compromisso da empresa em entregar "dinheiro privado imparável" por meio do Zcash, destacando a importância de transações financeiras globais, privadas e sem censura. Desde 2016, a ECC tem sido a principal desenvolvedora do protocolo Zcash, e em 2024 a empresa passou por um renascimento, retornando aos valores cypherpunks de defesa da privacidade e resistência à vigilância governamental.

Entre os avanços recentes, destaca-se o lançamento do Zashi, uma interface de usuário avançada que simplifica pagamentos e trocas (swaps) com ZEC, tornando a privacidade mais acessível ao público. Além disso, a ECC está trabalhando no Zashi Vault, uma solução em fase de design para melhorar ainda mais a experiência do usuário. Outro foco crucial é a substituição do Zcash-D pelo Zebra-D, um processo que enfrenta atrasos devido à necessidade de adaptação de exchanges para a nova infraestrutura. Inicialmente previsto para agosto de 2024, o prazo foi estendido para novembro como melhor cenário, mas a ECC reconhece que o cronograma pode se estender ainda mais.

Outras prioridades incluem a implementação do protocolo FROST (que viabiliza novas funcionalidades on-chain) e o suporte aos ZSA (Zcash Shielded Assets), embora a ECC ainda não tenha iniciado o trabalho diretamente nesse último ponto, incentivando a colaboração de outras equipes da comunidade.

Do ponto de vista financeiro, a ECC gastou aproximadamente 4,3 milhões de dólares em 2024, sendo a maior parte direcionada a salários e honorários legais. Um custo significativo foi o cumprimento de uma intimação da SEC, que exigiu cerca de 500 mil dólares em taxas jurídicas. Em fevereiro de 2025, a empresa possuía 4 milhões de dólares em ativos líquidos, incluindo 3,3 milhões em ZEC e 1,1 milhão em tokens BLD (Agoric), além de participações em Starkware e Namada (estes últimos ainda não negociáveis). Com esses recursos, a ECC projeta um runway de aproximadamente um ano, considerando os gastos anuais em torno de 4 milhões de dólares. Para garantir a sustentabilidade financeira, a ECC avalia alternativas como a suspensão temporária do pagamento de dívidas e a valorização futura de seus ativos digitais.

Sobre o cenário regulatório, Josh alertou que a postura do governo Biden em relação à privacidade foi hostil, com solicitações diretas para que a ECC implementasse mecanismos que permitissem ao governo dos EUA acessar informações de transações na blockchain do Zcash – algo que a empresa rejeita veementemente e afirma ser tecnicamente inviável. Embora as ações atuais da SEC estejam mais previsíveis, a posição da nova administração em relação ao dinheiro digital privado permanece incerta.

A ECC reforça seu compromisso em colaborar com a comunidade Zcash, incentivar pesquisas de usuários lideradas por Tatiana, e continuar inovando em tecnologia e governança. A empresa busca fortalecer a adoção do Zcash por meio de produtos fáceis de usar, interoperabilidade entre blockchains e participação ativa em iniciativas regionais.

Apesar dos desafios financeiros e regulatórios, Josh enfatizou que "este é o momento de acelerar o desenvolvimento, não de recuar", reforçando a missão da ECC de entregar um Zcash seguro, privado, acessível e resistente à censura em um ambiente de código aberto e colaboração comunitária.

 


 

Integração Vertical

No Painel Integração Vertical, Zaki Manian, membro do conselho da Bootstrap, abordou os desafios enfrentados pelas blockchains, destacando a importância da integração vertical para melhorar a experiência do usuário e a competitividade no mercado. Ele argumenta que as blockchains se dividem em duas categorias principais: plataformas tecnológicas e ativos de culto. Embora ativos como Cardano e XRP, que se posicionam como "ativos de culto", estejam superando em valor de mercado as plataformas tecnológicas, ele assume que o caminho mais promissor para o ecossistema Zcash é focar em se tornar uma plataforma tecnológica robusta.

Zaki critica o modelo fragmentado adotado pelas blockchains nos últimos dez anos, em que diferentes equipes desenvolvem componentes separados (como protocolos, interfaces e soluções para os usuários), sem uma integração coesa. Usando o exemplo da Cosmos, ele mostrou como essa abordagem dificulta a adoção pelos usuários, que enfrentam barreiras para acessar e utilizar os produtos, mesmo quando as soluções já existem.

Ele defende que a falta de integração vertical – ou seja, uma abordagem mais unificada desde o desenvolvimento do protocolo até a experiência do usuário – prejudica o crescimento e a adoção. Segundo Zaki, essa fragmentação surgiu em grande parte por razões regulatórias, para reforçar a descentralização. No entanto, com a evolução do cenário regulatório nos Estados Unidos, ele sugere que há espaço para priorizar a criação de produtos coesos sem comprometer a descentralização.

No caso da Zcash, ele destacou que a privacidade on-chain é um diferencial importante, mas argumenta que a blockchain precisa expandir sua utilidade além do ZEC, permitindo a emissão e a privacidade de múltiplos ativos (ZSAs e multi-asset shielded pools). Ele acredita que o ecossistema deve focar em resolver problemas reais de forma profunda, em vez de investir em uma abordagem dispersa com múltiplas apostas paralelas.

Zaki conclui que, para Zcash e outras blockchains sobreviverem em um ambiente competitivo, é essencial melhorar a experiência do usuário, integrar melhor as soluções em um único produto e focar em casos de uso claros, como a emissão e negociação de ativos. Ele também destacou que, embora o mercado ainda esteja em busca de um verdadeiro "produto de mercado adequado", as stablecoins e o Bitcoin são os únicos produtos que já atingiram esse nível de adoção.

 


 

Zashi: Revisão Anual e Roteiro

O Painel Revisão Anual e Roteiro da Zashi contou com a presença de Josh Swihart, CEO da Electric Coin Company (ECC), e Andrea, gerente de produto da Zashi, eles destacaram que a Zashi vai além de uma simples carteira Zcash, sendo uma plataforma financeira integrada para transações privadas e seguras.

O projeto se baseia em três pilares: Zashi Wallet, Zashi Vault e o protocolo Zcash. A Zashi Wallet, já em operação, está em constante evolução, com destaque para os pagamentos rápidos (em menos de dois segundos), integração com a Flexa, pagamentos via DEX, auto-blindagem e segurança avançada para situações de risco. O Zashi Vault, em fase de design, será um cofre digital sob controle total do usuário, oferecendo suporte a hardware wallets, múltiplos cofres e integração com o DeFi em outras blockchains.

Entre as principais realizações do último ano estão o lançamento da Zashi para iOS e Android, a integração com a carteira Keystone e a implementação de recursos como auto-shielding, rotação de endereços e suporte ao ZIP 321. Desde o lançamento, o supply shielded no pool Orchard cresceu de 200 mil para mais de 1 milhão de ZEC, demonstrando o impacto da plataforma na adoção de Zcash.

A base de usuários também cresceu significativamente, com 15,5 mil no Android e 8 mil no iOS, com forte presença em países como Nigéria, EUA, Rússia, Índia e Quênia. Para ampliar o alcance, a Zashi Android foi disponibilizada no GitHub e em lojas alternativas.

As prioridades para 2025 incluem consolidar a Zashi como a melhor carteira shielded, com atualizações trimestrais, integração com a Maya DEX e suporte aos ZSAs (Zcash Shielded Assets). Destacam-se também melhorias no histórico de transações, backup de seed phrases e um redesign do aplicativo.

Eles também reforçaram que a comunidade tem papel fundamental no desenvolvimento da Zashi, incentivando à colaboração via GitHub e Discord. Há planos para estruturar um processo de tradução para novos idiomas, incluindo o português, embora cada novo idioma exija maior complexidade e manutenção.

No encerramento, eles reforçaram o compromisso com a privacidade e autonomia, destacando a Zashi como peça-chave para um sistema financeiro privado e independente.

 


 

Um Caminho Blindado e Privado para Melhores Pagamentos

No Painel Um Caminho Blindado e Privado para Melhores Pagamentos, Trevor Filter trouxe muitas informações sobre a Flexa e o funcionamento do sistema mundial de crédito da atualidade. Ele destacou a importância da privacidade em pagamentos digitais e a visão da empresa em transformar a infraestrutura financeira global. A Flexa foi fundada com o objetivo de resolver os problemas estruturais dos sistemas de pagamento tradicionais, que são baseados em tecnologia obsoleta e em modelos que priorizam os emissores de cartões, como bancos, em vez dos vendedores ou consumidores.

A empresa identificou três descobertas principais em sua jornada: a maioria dos pagamentos hoje não envolve a movimentação real de dinheiro, o modelo atual beneficia os emissores em detrimento dos usuários, e a adoção de criptomoedas para pagamentos precisa focar na experiência do usuário, e não apenas na tecnologia.

A Flexa desenvolveu uma infraestrutura de pagamentos moderna que utiliza blockchains para garantir transações rápidas, privadas e acessíveis. Ao contrário das redes tradicionais, como a VisaNet, que funcionam como um sistema de mensagens entre comprador e vendedor sem transferir diretamente o dinheiro, a Flexa aproveita as blockchains para realizar transferências reais, eliminando intermediários e reduzindo a necessidade de coleta de dados pessoais.

Um exemplo prático dessa abordagem é o Flex SDK, uma ferramenta lançada recentemente que permite a integração de carteiras digitais com pontos de venda físicos e online. Esse SDK já foi adotado por importantes aplicativos no ecossistema Zcash, como a Zashi e a Nighthawk Wallet, permitindo pagamentos rápidos e privados com ZEC.

A empresa reforça seu compromisso com a privacidade ao garantir que todas as transações realizadas em sua plataforma sejam anônimas, únicas e aleatórias, impossibilitando o rastreamento ou a associação entre diferentes pagamentos. Além disso, a Flexa publica um relatório anual de transparência, detalhando quaisquer solicitações governamentais de informações recebidas.

A visão da Flexa é dupla: ampliar a adoção de criptomoedas para pagamentos do dia a dia e evitar os erros dos últimos 75 anos do sistema financeiro tradicional. A empresa defende que o futuro dos pagamentos deve ser centrado nos vendedores, deixar de depender de cartões físicos e adotar blockchains como mecanismo de segurança em vez de dados pessoais.

Especificamente em relação a Zcash, a Flexa sempre apoiou a comunidade e acredita que essa blockchain, com seu foco em privacidade, está alinhada com a missão de criar um sistema de pagamentos mais justo e seguro. A empresa imagina um futuro onde transações privadas com ZEC sejam amplamente aceitas por grandes comerciantes, inclusive com a oferta de descontos para quem usar a criptomoeda como forma de pagamento.

Em resumo, a Flexa está criando as bases para um futuro em que os pagamentos sejam rápidos, baratos, privados e acessíveis a todos. Seu compromisso com a privacidade, a adoção de tecnologias inovadoras e o foco em beneficiar os vendedores refletem uma visão ambiciosa de transformar fundamentalmente o modo como as pessoas pagam por bens e serviços.

 


 

O Futuro de Zcash e a Expansão de Suas Possibilidades

O futuro de Zcash e a expansão de suas possibilidades além do ZEC estão no centro da discussão nesse Painel, que traz especialistas de diferentes projetos, cada um com perspectivas únicas sobre privacidade e blockchain. Jon Rouach, CEO da QEDIT, destacou a contribuição de sua equipe com os Zcash Shielded Assets (ZSA), reforçando o potencial de ampliar as capacidades de Zcash.

Christopher Goes apresentou seu trabalho com os projetos Anoma e Namada. O Anoma é um sistema operacional distribuído que conecta múltiplos computadores, permitindo controle de fluxo de informação e confiança heterogênea. Já Namada funciona como um hub de ativos protegidos no ecossistema Cosmos e em outras cadeias conectadas ao IBC (Inter-Blockchain Communication), viabilizando interações privadas entre blockchains.

Kit Sturgeon, com sua experiência em Zcash e Avalanche, detalhou o desenvolvimento do Redbridge, uma ponte entre essas duas blockchains focada em melhorar a escalabilidade e a privacidade.

Bryan Gillespie, da Inversed Tech, destacou o uso de criptografia avançada e provas de conhecimento zero (ZK) em um projeto de pesquisa apoiado pela Zcash Foundation, investigando a viabilidade de adicionar programabilidade ao protocolo Zcash.

James Mudgett, vice-presidente de Web3 na Brave, trouxe a perspectiva de integrar Zcash ao Brave Wallet, permitindo em breve transações protegidas diretamente pelo navegador.

Henry de Valence discutiu o Penumbra, um protocolo multiativo de privacidade dentro do ecossistema Cosmos, que combina uma DEX integrada com transações privadas on-chain.

Aaluxx Mith, por sua vez, destacou a importância da privacidade em sistemas descentralizados, especialmente em regiões como a América Latina, onde regimes autoritários representam uma ameaça constante aos direitos individuais.

Um dos pontos mais debatidos foi a questão do poder individual sobre os dados. A proposta de Zcash, ao contrário de muitos sistemas tradicionais e até de outras criptomoedas, busca dar a cada usuário o controle sobre a divulgação de suas informações. Em vez de permitir que um emissor de stablecoin defina regras de acesso aos dados, a visão de Zcash defende que cada usuário tenha essa "gota de poder" para decidir o que será revelado, respeitando a autonomia pessoal. Esse modelo contrasta com os sistemas de vigilância em larga escala que se tornaram comuns nas últimas duas décadas, onde plataformas como Google, Facebook e blockchains transparentes impõem a divulgação compulsória de informações para quem deseja utilizar seus serviços.

A metáfora da privacidade digital precisa ser atualizada para refletir as capacidades tecnológicas modernas. Enquanto no mundo físico a privacidade exige ações concretas – como fechar uma cortina para impedir que alguém veja o interior de uma casa –, no ambiente digital, as informações permanecem privadas por padrão até serem deliberadamente compartilhadas. O modelo atual de vigilância digital, em que dados pessoais são coletados de forma indiscriminada por empresas e governos, não é um reflexo inevitável da tecnologia, mas sim uma construção intencional que pode ser revertida.

O painel também destacou a necessidade de normalizar a privacidade como um direito básico, equiparando-a à criptografia de ponta a ponta em mensagens. O futuro do Zcash está alinhado com essa visão, caminhando para a eliminação dos pools transparentes e focando exclusivamente em transações protegidas. A transição para o protocolo Orchard já permite que o ZEC seja armazenado de forma nativa em estado protegido, consolidando o Zcash como um padrão-ouro em segurança matemática.

A interoperabilidade é outro desafio essencial para a evolução do Zcash. A integração com outras blockchains, como o protocolo Mina e a blockchain LEO, e a adoção de soluções como o Penumbra são vistas como caminhos para expandir as funcionalidades sem comprometer a estrutura de privacidade. Projetos como o Redbridge e Namada ilustram a importância de permitir que blockchains distintas se comuniquem de maneira privada e segura.

Ao reforçar sua missão de proteger a privacidade financeira, Zcash se posiciona como um elo vital em um ecossistema DeFi verdadeiramente descentralizado. A interoperabilidade sem permissões, aliada à capacidade de programabilidade e à privacidade robusta, fortalece a ideia de um futuro financeiro em que os indivíduos mantêm o controle sobre seus próprios dados. A visão de Aaluxx Mith resume bem essa abordagem: Zcash deve focar no que ele não fará – ou seja, nunca abrir mão da privacidade e do poder individual – para garantir que continue fiel aos seus princípios fundamentais.

Em um mundo onde a vigilância em massa se tornou normal, Zcash representa uma alternativa que devolve o poder às mãos dos usuários. Ao continuar inovando com soluções como ZSAs e expandindo sua interoperabilidade, Zcash está moldando um futuro onde a privacidade digital será tão natural e essencial quanto a liberdade de expressão.

 


 

Fazendo ZEC Multicadeias com Maya

No Painel Fazendo ZEC Multicadeias com Maya, Aaluxx Myth, falou sobre o Protocolo Maya.

Um AMM DEX cross-chain baseado no Cosmos SDK que permite swaps permissionless entre diferentes blockchains, sem a necessidade de intermediários ou ativos empacotados (wrapped assets). Inspirado no Thorchain, o Maya opera com uma rede de validadores que fornecem colateral (bond) para garantir a segurança dos ativos e a execução das transações.

Atualmente, o protocolo suporta blockchains como Arbitrum, Bitcoin, Dash, Ethereum, Kujira, Fortune e Radix, com planos de expandir para Zcash, Cardano e Kaspa em 2025. As transações são automatizadas e podem ser acompanhadas em tempo real pelo MayaScan, e os usuários podem realizar swaps diretamente de suas carteiras compatíveis, como a Edge Wallet, sem precisar possuir a moeda nativa do protocolo (CACAO).

Um dos principais avanços do Maya é o streaming swap, que divide grandes transações em múltiplos swaps menores para reduzir o slippage. O protocolo também se destaca pela segurança, utilizando assinaturas por limiar (TSS) para validar as transações e um sistema de rotação de validadores a cada oito dias, garantindo a descentralização e mitigando riscos.

A integração com o Zcash é um marco estratégico, permitindo swaps privados de ZEC para outras criptomoedas. Inicialmente, serão usados T-addresses, com planos futuros para incluir suporte a vaults privadas. O Maya também está colaborando com a Brave para permitir swaps diretos no Brave Wallet.

Para os desenvolvedores, o protocolo oferece ferramentas como Exchange.js e SwapKit, que simplificam a integração com a API do Maya. Já os provedores de liquidez podem obter rendimento ao adicionar ativos aos pools, embora estejam sujeitos a riscos como perda impermanente e exposição ao CACAO.

Com dois anos de operação e mais de 10 milhões de blocos processados, o Maya Protocol busca se consolidar como a principal solução para a movimentação permissionless de ativos entre blockchains, alinhado aos princípios de descentralização, privacidade e liberdade financeira promovidos pelo Bitcoin e Zcash.

 


 

Zcash Pós-Quântico

Daira-Emma, em sua apresentação sobre "Zcash Pós-Quântico", destaca os riscos que a computação quântica representa para a criptografia atual, incluindo as tecnologias utilizadas por Zcash, como assinaturas digitais, criptografia e provas de conhecimento zero (zk-SNARKs).

Ela explica a evolução dos computadores quânticos, mencionando o algoritmo de Simon e como Peter Shor desenvolveu técnicas que podem quebrar sistemas criptográficos baseados em fatoração de números inteiros e logaritmos discretos. Relatórios sugerem que computadores quânticos capazes de comprometer a criptografia atual podem surgir em ataques privados já em 2029, com uma possível demonstração pública por volta de 2032.

Daira alerta para a ameaça de ataques "coletar agora, descriptografar depois", em que dados criptografados hoje podem ser quebrados no futuro. Em Zcash, um dos maiores desafios está na proteção da privacidade durante a transferência de notas, feita atualmente por meio de criptografia de broadcast. Algoritmos pós-quânticos, como o MLPen, oferecem soluções promissoras, mas enfrentam dificuldades técnicas e novas vulnerabilidades.

A adoção de algoritmos híbridos, como o X-Wing, é limitada pela necessidade de manter a privacidade das chaves. Além disso, os sistemas pós-quânticos geram provas maiores, dificultando a escalabilidade da blockchain. Estratégias como o uso de provas recursivas e a adaptação de circuitos para carteiras de hardware são exploradas como soluções transitórias.

Dada a rápida evolução da computação quântica, Daira enfatiza a importância de acelerar o desenvolvimento de soluções criptográficas pós-quânticas. Ela recomenda que desenvolvedores tratem os endereços como segredos, reforcem a segurança das carteiras digitais e acompanhem os avanços em criptografia. Por fim, destaca que a defesa da privacidade digital está diretamente ligada à resistência contra regimes autoritários.

 


 

Zcash-DevTool: Uma Multiferramenta de Desenvolvimento

No último Painel do dia, Kris Nuttycombe apresentou o Zcash DevTool, uma ferramenta de linha de comando para desenvolvimento e experimentação no ecossistema Zcash. O objetivo é facilitar a prototipagem de novas funcionalidades, como ZSAs e novos formatos de memo, com testes rápidos e isolados. O DevTool permite inspecionar endereços e transações, criar e modificar carteiras de testnet, e integrar funcionalidades como rotação de endereços. Durante a apresentação, foram demonstradas operações práticas como a criação de uma carteira, transferência de ZEC e geração de QR codes. Também foi discutido como o DevTool se conecta a dependências locais e como os desenvolvedores podem utilizá-lo para testar novas funcionalidades em testnets. Ele ainda explicou como o DevTool será adaptado para incorporar futuras atualizações da rede Zcash, como ZSAs, e respondeu a perguntas sobre integração com nós regtest e o uso de diferentes ferramentas. O DevTool é projetado para ser uma plataforma flexível e extensível, permitindo que os desenvolvedores testem novas funcionalidades de forma eficiente.

 

Related Articles