
O estado da Zcash em 2025
O evento teve início com a palestra de Jack Gavigan (Diretor executivo da Zcash Foundation). Entre as suas principais falas, ele anunciou o concurso de Clipes da ZconVI em parceria com a @ZkAv_Club, que tem um enorme prêmio de 108 ZEC de recompensa, compartilhado entre os ganhadores conforme regras divulgadas na página do concurso.
Outra menção feita por ele, foi a presença de Vitalik Buterin (Fundador da Ethereum) como um dos principais destaques entre os participantes do evento.
Ele também destacou o crescimento e a descentralização do ecossistema Zcash com mais equipes contribuindo para o desenvolvimento do protocolo e iniciativas educacionais, mas reforçou a necessidade de decisões importantes a serem tomadas, citando a distribuição dos fundos no Zcash lockbox.
Mencionou as mudanças ocorridas no conselho da Zcash Foundation, com a saída de Peter van Valkenburg e Amber Baldett, e a entrada de Taylor Hornby e Ted Hoffman, visando maior representação da comunidade dentro do conselho da fundação.
Informou que a Zcash Foundation assumiu o controle exclusivo das marcas da Zcash, originalmente registradas pela ECC. Citando a revisão na política de marcas, tornando-a mais simples e permissiva, com o objetivo de evitar o uso fraudulento, mas sem impor governança.
Falou sobre a evolução técnica que a Zcash está passando, com a introdução do Zebra, e a depreciação do ZcashD; o trabalho na integração de Zcash Shielded Assets e Frost, além da exploração do uso de pontes e sidechains para aumentar a flexibilidade e agilidade do protocolo. Disse que entre os desafios estão a complexidade das atualizações de rede e a coordenação entre diferentes equipes. E mencionou que uma possível proposta seria a migração para uma nova blockchain mais eficiente, com um mecanismo de ponte para permitir a transferência de ZEC entre diferentes blockchains.
Ele finalizou anunciando sua saída como diretor executivo da Zcash Foundation, mas reforçou que continuará apoiando a comunidade, apesar de não estar mais à frente da fundação. Alex (COO) assumirá interinamente enquanto o conselho busca um novo diretor.

Zcash Foundation: Update de Engenharia
Em seguida Pili Guerra, Conrado Gouvêa, Alfredo Garcia, Natalie Eskinazi, Marek, Arya Solhi e Gustavo Valverde, trouxeram os avanços do projeto Zebra e a implementação do Frost na Zcash, com foco em melhorias técnicas, segurança e transição para o Zebra como único nó de consenso.
O protocolo Frost foi apresentado como uma forma segura de permitir assinaturas de transações por múltiplos participantes, essencial na gestão de Zcash Shielded Assets. Também foram abordados planos para integrar Frost com carteiras digitais e criar interfaces gráficas mais acessíveis.
A equipe destacou a possibilidade de futuras colaborações com Valtisig e Maya Protocol e a viabilidade de outras equipes hospedarem seus próprios servidores Frost.

Perspectiva Regulatória
O painel Perspectiva Regulatória reuniu especialistas para discutir os desafios regulatórios relacionados a criptomoedas e tecnologias de privacidade. Entre os participantes estavam Peter Van Valkenburg (Coin Center), JW Verrett (Zcash Foundation), Paul Brigner (Electric Coin Company), Michelle Korver (Andreessen Horowitz) e Kurt Opsahl (Filecoin Foundation), todos com experiência em políticas públicas, regulamentação financeira e cibersegurança.
Eles discutiram amplamente os desafios regulatórios enfrentados pelas tecnologias de privacidade no ecossistema de criptomoedas, com destaque para Zcash e outras soluções baseadas em privacidade. A principal preocupação foi a ausência de uma estrutura jurídica clara que proteja desenvolvedores e usuários, colocando em risco a inovação tecnológica e a liberdade de expressão. Foi enfatizado que a falta de definições precisas nas leis sobre transmissão e lavagem de dinheiro pode levar a interpretações arbitrárias, o que gera riscos significativos para aqueles que trabalham com criptomoedas.
Um ponto importante foi a recente decisão da Quinta Vara do Circuito do Texas, que determinou que contratos inteligentes imutáveis, como os usados no Tornado Cash, não podem ser incluídos nas sanções da OFAC (Office of Foreign Assets Control). Isso fortalece a tese de que a publicação de software, como o Bitcoin e outras criptos, deve ser protegida pela legislação norte-americana, reconhecendo a liberdade de desenvolvimento de tecnologia descentralizada e código aberto.
O painel também destacou a importância de engajar ativamente com reguladores e legisladores para proteger a privacidade financeira. Os participantes sugeriram que é essencial explicar, de maneira acessível, os benefícios das tecnologias de privacidade, como Zcash, para garantir a proteção dos direitos civis em um cenário de crescente vigilância governamental. A participação em consultas públicas e debates políticos é vista como uma estratégia fundamental para moldar políticas mais equilibradas e evitar regulamentações excessivas.
O tema da "Travel Rule", que exige o compartilhamento de informações sobre transferências de fundos, foi levantado como um desafio específico para Zcash. No entanto, a rede foi destacada por sua flexibilidade, permitindo que transações sejam tanto transparentes quanto privadas, o que oferece uma vantagem estratégica para cumprir regulamentações sem comprometer a privacidade. Ainda assim, os palestrantes alertaram para o risco de interpretações futuras dessa regra, especialmente com a possibilidade de monitoramento pós-transação, que poderia enfraquecer a privacidade dos usuários.
Outro tópico relevante foi a questão das stablecoins privadas, como as ZSAs (Zcash Shielded Assets), que foram consideradas fundamentais para preservar a privacidade em transações financeiras. A proposta de um modelo híbrido, que aceite regulamentações em pontos de contato com o sistema bancário (on/off ramps), mas preserve a privacidade nas transações dentro do ecossistema, foi discutida como uma forma de equilibrar conformidade regulatória e privacidade financeira.
Exemplos de processos judiciais como o U.S. vs. Tornado Cash foram usados para ilustrar os riscos que os desenvolvedores enfrentam, incluindo acusações de "transmissão de dinheiro sem licença", que podem levar a penas severas, como prisão por até 10 anos. A pressão governamental sobre a criptografia também foi mencionada, com o caso do Reino Unido tentando forçar a Apple a reduzir a segurança do iCloud.
Por fim, a Zcash Foundation anunciou uma mudança estratégica, adotando uma abordagem mais ofensiva em relação às políticas públicas. O objetivo é engajar grandes organizações e promover o debate sobre privacidade financeira em fóruns institucionais, destacando o potencial da Zcash para facilitar transferências privadas em uma escala global. A privacidade financeira foi reafirmada como um direito fundamental que deve ser defendido com leis claras, robustas e uma abordagem equilibrada, que permita inovação tecnológica enquanto protege os direitos civis e a privacidade dos cidadãos.

Escalabilidade Zcash
O painel Escalabilidade Zcash contou com Sean Bowe, que trabalhou por cerca de nove anos na Electric Coin Company (ECC) no desenvolvimento de zk-SNARKs para Zcash. Após deixar a ECC no final de 2023, ele dedica-se a explorar soluções de longo prazo para aumentar a capacidade da Zcash de processar um grande volume de transações, sem comprometer suas fortes garantias de privacidade. Seu trabalho visa superar os desafios de escalabilidade da rede enquanto preserva os princípios fundamentais de privacidade.
Ele trouxe as seguintes informações e novidades sobre o tema: Zcash utiliza transações blindadas (shielded transactions) para garantir a privacidade dos remetentes, destinatários e valores. Essas transações envolvem objetos de gasto, objetos de saída e provas zk-SNARKs para validar a transação, preservando a privacidade. Os principais desafios de escalabilidade estão no gerenciamento de nullifiers e na sincronização de notas. Os nullifiers evitam gastos duplos, mas seu rastreamento exige armazenamento contínuo, o que se torna inviável à medida que a rede cresce.
Uma proposta inovadora para resolver esses problemas é a utilização de serviços de sincronização oblíqua, permitindo que carteiras gerem nullifiers antecipadamente, sem vinculação a notas específicas. Esses serviços sincronizam provas de não-inclusão de maneira privada, preservando a privacidade dos usuários. Essa abordagem pode reduzir o armazenamento histórico, simplificar a validação e manter a privacidade, sem sobrecarregar os validadores. Também há a possibilidade de permitir a evolução dos nullifiers ao longo do tempo, o que pode ser útil em forks ou mudanças na rede.
A pesquisa sobre a escalabilidade do Zcash continua, com foco em soluções que mantenham suas garantias de privacidade, ao mesmo tempo em que permitam o crescimento da rede para atender a um crescente número de usuários e transações.

Roteiro Técnico
No Painel de Roteiro Técnico, um grupo de engenheiros do ecossistema discutiu o futuro técnico da Zcash.
Os palestrantes começaram o painel se apresentando e abordando as expectativas para o futuro do Zcash após o NU7.
Arya, que trabalha na Zcash Foundation com o Zebra, vislumbra um futuro com trocas de ativos, pontes, Proof of Stake e, eventualmente, liberated payments, como desenvolvimentos-chave após o NU8.
Nate, com foco em Proof of Stake, espera que Zcash mantenha sua segurança, com o limite de tokens e taxa de emissão intactos, além de facilitar a conexão com outros sistemas cripto para a transferência de ativos.
Pablo, da QEDIT, enfatizou a importância de desenvolver mecanismos de negociação seguros dentro do Zcash e integrar soluções de onboarding cross-chain como passos críticos para o crescimento futuro.
Sean, que trabalha com pesquisa de protocolos de longo prazo, foca na escalabilidade e na tarefa central de fazer Zcash suportar um número maior de usuários ao enviar e receber dinheiro. Ele também demonstrou empolgação com as mudanças fora do protocolo, como ajustes nos fluxos de pagamento.
Str4d, da ECC, destacou a importância da adoção de novos usuários e da privacidade, além de manter um forte efeito de rede para o sucesso da Zcash.
Za, da Zingo Labs, está concentrado em alcançar anonimato na camada de rede e integrar mixnets para melhorar a privacidade, além de explorar o uso de Zcash para casos de mensagens e liberated payments.
As discussões sobre o futuro do Zcash abordaram temas estratégicos e técnicos para fortalecer a privacidade, melhorar a infraestrutura e facilitar a adoção em larga escala. Destacou-se a transição para o Proof of Stake (PoS), que pode reduzir custos de energia, aumentar a descentralização e facilitar a migração para fora de jurisdições hostis. Embora não haja consenso sobre a segurança em relação ao Proof of Work (PoW), a mudança é vista como essencial para a sustentabilidade e a expansão da rede.
Outro ponto importante foi a depreciação do Nó Zcashd em favor do Zebra, devido à dificuldade de manter a base de código herdada do Bitcoin. Foi sugerida uma abordagem de desenvolvimento "top-down" para antecipar mudanças futuras e evitar retrabalho, como ocorreu durante a implementação dos Zcash Shielded Assets (ZSAs). Esses ativos são vistos como uma oportunidade para transformar Zcash em uma DEX na camada 1, permitindo transações privadas com outros ativos e criando novos fluxos de receita.
A sincronização de carteiras foi identificada como um dos principais desafios técnicos, devido à sua complexidade e lentidão. Foram discutidas soluções como o uso de Oblivious Message Retrieval (OMR) e Private Information Retrieval (PIR) para melhorar o processo sem comprometer a privacidade. A possibilidade dos usuários executarem seus próprios serviços de sincronização em ambientes controlados também foi mencionada.
A integração do Nym, ferramenta de anonimização em nível de pacote, foi proposta para reforçar a privacidade do tráfego na rede, especialmente para os validadores (agora chamados de finalizers). Outra proposta inovadora foi o uso de grafos sociais para realizar transações ponto a ponto fora da blockchain (off-chain), dificultando o rastreamento por terceiros.
Os liberated payments, um novo modelo de transações diretas entre remetente e destinatário, foram debatidos como uma forma de aumentar a eficiência, embora levantem preocupações sobre anonimato. Para mitigar esses riscos, sugeriu-se integrar esse modelo a plataformas de mensagens como o Signal, permitindo que informações sensíveis sejam transmitidas fora da blockchain.
A melhoria da experiência do usuário (UX) foi apontada como prioridade, com o objetivo de tornar o Zcash tão simples de usar quanto aplicativos populares. Para garantir a coordenação eficiente entre as equipes de desenvolvimento, as Arborist Calls foram destacadas como um mecanismo essencial para discutir atualizações do protocolo e alinhar estratégias técnicas.
Por fim, foram sugeridas melhorias no processo de desenvolvimento e revisão das propostas de melhoria (ZIPs), incluindo o aumento da frequência das reuniões, a adoção de estratégias como feature flagging e a observação em tempo real do sistema para identificar gargalos e ajustar o ritmo de desenvolvimento.

Demonstração da Carteira Zcash na Metamask
O último painel do dia contou com a presença de Ivan Rubido, ele abordou o desenvolvimento de um navegador que utiliza um endereço web e se integra a MetaMask.
O palestrante compartilhou sua jornada de desenvolvimento iniciada em 2019 e os avanços significativos desde 2021.
A apresentação explorou como o sistema funciona, destacando a necessidade de permissão do usuário durante a instalação para garantir a comunicação adequada entre os componentes. A comunicação é feita através de JSON, permitindo a interação entre diferentes serviços.
Além disso, foi demonstrado o processo de instalação, a sincronização dos blocos e a criação de um novo bloco para validar a transação.
Por fim, ele concluiu com um agradecimento ao público, e assim encerrou o primeiro dia de palestras da ZConVI.


