
Quando eu conheci o Bitcoin em 2014, a primeira impressão que eu tive é que era algo oculto e irreal, usado apenas por criminosos da deep web para vender drogas e armas. Hoje eu tenho outra concepção da moeda, compreendendo parte das vantagens e desvantagens de se ter uma moeda que não possui intervenção direta do governo.
O Bitcoin, como uma moeda que não possui emissão estatal, não pode ser controlado com facilidade, sendo unicamente sujeito às leis de oferta e demanda da sociedade. Isso não significa que, como o ouro, ele tenha um valor estável, mas apenas que ele não pode ser emitido infinitamente por uma entidade central reguladora. O quanto isso é ou não é bom para a sociedade, é o próprio mercado que decidirá.
Claro que temos alguns problemas que não são facilmente resolvidos com o Bitcoin, como a demora para processamento de um bloco, ou as taxas de transação, e dificilmente serão solucionados de forma única, como uma resposta perfeita que resolverá rodos os nossos problemas, mas o simples fato de podermos manter uma certa quantidade de dinheiro e ser capaz de comercializar com ele sem interferência governamental já é um grande avanço.
O que mais me intriga sobre o tema não é nem o que pode ser feito com grandes quantidades de Bitcoin, mas o que acontecerá com o uso em pequeno porte. Como eu vou poder comprar pão com meus bitcoins? E cafezinho? Como eu vou pagar minhas contas com Bitcoin? E receber meu salário?
Algumas formas que me foram apresentadas foram o uso de outras moedas como complemento ao Bitcoin, ao Ethereum e a outras moedas de alto valor, que seriam moedas de valor mais baixo, mas que possuam taxas mais baixas de transação e tempos mais curtos, como o BNB, o Polygon, o XDAI e outras do tipo e o uso de uma rede lightning, como um aplicativo que permite que você envie criptomoedas para outro usuário do mesmo aplicativo. Nenhuma dessas soluções é uma bala de prata, mas, em conjunto, podem resolver a maioria dos problemas modernos em relação a dinheiro digital.
Claro que isso tudo é apenas a minha opinião como leigo, mas fico curioso sobre o que acontecerá no futuro. Imagine poder chegar em uma lanchonete e dizer “quantos satoshis custam esse cafezinho?” Imagine poder doar para a caridade uma pequena quantidade de Ethereum? E eu não sei se esse dia chegará logo, na verdade nem sequer sei se vai chegar, mas as possibilidades que as criptomoedas já abriram para o cidadão comum me deixam no mínimo intrigado.
É por isso que, independente da situação atual, eu estou muito animado com o futuro.
