
Tecnologias como a rede blockchain, criptografia e a rede Peer-to-Peer, possibilitaram
que as criptomoedas se tornassem realidade e apresentassem um crescimento
exponencial na atualidade. Este trabalho tem por objetivo verificar a evolução dessas
tecnologias e seu impacto no setor elétrico, analisando a viabilidade econômica da
mineração no Brasil, avaliando aspectos como a evolução dos chips de circuito
integrado utilizados na mineração e a crescente demanda energética. Além disso,
pretende-se analisar a evolução da criptomoeda Bitcoin como moeda de troca e o seu
impacto no consumo e custo de energia elétrica, avaliando seu potencial de
crescimento ao longo do tempo. Ao final do trabalho, discute-se um panorama do
cenário de mineração de criptomoedas e qual seu impacto no setor elétrico de energia.
Durante a evolução da espécie humana foi necessário a troca de objetos para
atender as necessidades básicas, como alimentação e higiene, e posteriormente,
novos itens que vão além das necessidades básicas entraram nesse cenário de
consumo, provocando o aumento dessas movimentações de troca.
O objetivo era garantir que todos tivessem acesso aos bens consumo
essenciais e não-essenciais. O surgimento de novas necessidades, o aumento do
consumo e crescimento populacional, permitiram a criação das primeiras moedas de
troca: ouro, prata, especiarias, etc. Essas commodities eram o que o mercado, na
maioria dos países, havia selecionado pelas suas propriedades únicas adequadas à
função monetária.
Portanto, a moeda é um material ao qual é
atribuído onde é levado um valor consensual entre todos, o que permite a realização
de trocas a partir desse valor (BCB, 2016).
Nesse sentido, cada nação adequou os valores presentes em commodities
para atribuição do valor ao seu papel-moeda. Trata-se de uma segurança proveniente
do fato de existir uma quantidade de commodities para fazer jus a circulação de uma
quantidade estabelecida de papel-moeda.
Logo, há um valor reservado destes minérios para garantir a circulação do
papel-moeda, garantindo o surgimento do dólar e euro. Desde a criação dos papéis-
moedas, o gerenciamento do valor e quantidade desse item, assim como o crédito de
mercado, são geridos pelos Bancos Centrais de cada nação.
Por meio das ações realizadas pelos Bancos Centrais, surgiram dúvidas das
reais garantias que aquele papel-moeda teria para economia circular, gerando
desvalorização da moeda pela inflação e receio em tê-la, pois, a convenção do valor
real que um dólar em circulação e seu poder de compra é devido ao seu lastro em
commodities, que muitas vezes é questionado.
Em meio aos questionamentos da valorização do papel-moeda físico, surgiu a
moeda bitcoin a partir de um artigo publicado em nome de Satoshi Nakamoto que
propôs um sistema de transação eletrônica que não dependesse da confiança de um
terceiro indivíduo para transações financeiras, representado hoje pelas instituições
financeiras, o que provocaria uma descentralização no sistema financeiro e também
uma redução na intermediação das transações.
